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Um novo relatório das ONGs Terra de Direitos e Justiça Global revela que a violência política de gênero atingiu patamares alarmantes no primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil. O levantamento, divulgado após ameaças sofridas pela deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), mostra que as candidatas são as principais vítimas de agressões físicas e virtuais durante a campanha.
Durante os 50 dias de campanha, foram mapeados 134 casos de violência política, o equivalente a uma ocorrência a cada nove horas. Desse total, 70 episódios (52,2%) tiveram mulheres como alvo principal. Ao isolar apenas os ataques direcionados a candidaturas, a proporção feminina sobe para 58,8%, evidenciando a desproporção de agressões contra um grupo que ocupa apenas um terço das candidaturas.
Ambiente digital e subnotificação
De acordo com Gisele Barbieri, coordenadora da Terra de Direitos, a internet atua como um catalisador de ofensas sistemáticas, impulsionada pela falta de regulação das redes sociais. Contudo, a maioria dos registros (71 casos) ainda ocorreu nas ruas. A especialista alerta para uma grande subnotificação, já que o medo e a falta de amparo policial desencorajam muitas mulheres de denunciar as agressões.
Aumento em relação a pleitos anteriores
O cenário atual representa uma alta em comparação ao primeiro turno de 2022, que registrou 121 casos. Durante o período eleitoral de 2026, a frequência de ataques foi cinco vezes maior do que nos meses sem disputa nas urnas. Para os pesquisadores, essa escalada violenta exige uma força-tarefa célere do Estado para preservar a integridade do sistema democrático.
Recorte de raça e motivações
A pesquisa aponta que 44,8% das vítimas eram pessoas negras. Entre as mulheres atacadas, as motivações envolveram machismo ou misoginia em 45 ocorrências, racismo em nove e transfobia em cinco casos. Embora os homens sofram mais ataques físicos fatais, as mulheres concentram a totalidade das ameaças de violência sexual registradas no período.
Até o fechamento do estudo, nenhum dos 134 casos resultou em punição efetiva aos autores, embora medidas cautelares tenham sido aplicadas em oito episódios. Geograficamente, os estados com maior incidência foram São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, consolidando um panorama de hostilidade que desafia as instituições democráticas nacionais.
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