A Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) implementou uma novidade na atual Copa do Mundo, permitindo que cada uma das 48 seleções participantes selecione sua própria música oficial para animar os estádios a cada gol marcado. Essa iniciativa visa celebrar a identidade cultural de cada país através do som, mas a representação brasileira com a canção "Bate no Peito" tem gerado discussões sobre sua eficácia e apelo popular.
A cena se repetiu em Boston, durante a goleada da França por 4 a 1 sobre a Noruega: após o terceiro gol consecutivo de Dembelé, o DJ do estádio fez ressoar o hit "One More Time", da icônica dupla francesa Daft Punk. A escolha levantou a questão se seria uma provocação aos noruegueses, empolgado com a performance do craque do PSG, ou uma seleção pré-estabelecida pela organização do torneio.
Após uma breve investigação, confirmou-se que a FIFA de fato autorizou cada nação a escolher sua trilha sonora para os momentos de gol. Adicionalmente, a entidade lançou o álbum oficial do torneio no FIFA Sound, consolidando essa nova abordagem musical.
O resultado é uma verdadeira tapeçaria sonora global, com o K-Pop da Coreia do Sul, a cúmbia argentina, a salsa panamenha e diversos outros ritmos, cada um refletindo a tradição de seu respectivo país.
As escolhas musicais das seleções
Pensava-se, por exemplo, como seria vibrante ouvir os ingleses entoando a clássica "(I Can't Get No) Satisfaction", dos Rolling Stones, clamando por mais gols do artilheiro Harry Kane. No entanto, talvez pela fama de "pé frio" de Mick Jagger, a Inglaterra optou por "Chase the Sun", do Planet Funk, como sua melodia oficial.
Os australianos, por sua vez, acertaram em cheio com a eletrizante "Thunderstruck", da lendária banda AC/DC. O primeiro acorde da guitarra de Angus Young tem o poder de levantar qualquer um. Uma pena que a seleção da Oceania marcou apenas dois gols no mundial até o momento, e, dada a qualidade da equipe, esse número não deve crescer muito.
Para a Colômbia, uma escolha parecia óbvia: Shakira. A artista colombiana já se apresentou e teve músicas oficiais em quatro Copas do Mundo, incluindo Alemanha (2006), África do Sul (2010), Brasil (2014) e a vindoura edição de México/EUA/Canadá (2026).
Sua representatividade em mundiais supera a de qualquer craque de Los Cafeteros, como James Rodríguez ou Luis Díaz. Contudo, a Federação Colombiana de Futebol surpreendeu ao escolher "El Ritmo Que Nos Une", interpretada por Ryan Castro, um artista menos conhecido internacionalmente.
A escolha musical do Brasil: "Bate no Peito"
No caso do Brasil, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) selecionou um time de peso para a canção "Bate no Peito", com Ludmilla, João Gomes, Zeca Pagodinho, Samuel Rosa e Veigh, sob a produção de Papatinho.
Apesar dos nomes envolvidos, a faixa não gerou grande entusiasmo. A impressão é de uma "colcha de retalhos" musical, com estilos variados que não se conectam de forma orgânica, resultando em uma falta de liga. Além disso, no país dos bordões, faltou um refrão marcante que "grudasse" na cabeça do torcedor.
Essa escolha, para muitos, é menos inspiradora do que o antigo e insosso canto "eeeeu sou brasileeeeiro, com muito orguuuulho, com muito amooor...". Felizmente, essa fase foi superada.
Como alternativa, uma opção mais dançante, animada e representativa poderia ser "Sossego", do "síndico" Tim Maia. É fácil imaginar o técnico Carlo Ancelotti mascando chicletes e curtindo a melodia após mais um gol de Vini Jr.
Lançada em 1978, a música de Tim Maia possui versos que permanecem atuais e se alinham perfeitamente com a tradição brasileira de transformar os jogos da Copa do Mundo em verdadeiros feriados nacionais. "Ora bolas, não me amole / Com esse papo, de emprego / Não está vendo, não estou nessa / O que eu quero? Sossego".
Com o próximo jogo caindo em uma segunda-feira, a possibilidade de emendar com o fim de semana é real. Que o som do hexa inspire a todos!
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