O Brasil passa por uma transição demográfica acelerada. As projeções do IBGE apontam que quase 38% da população terá 60 anos ou mais, até 2070. A velocidade desse envelhecimento é impactante, pois o país levará apenas cerca de 20 anos para envelhecer o que nações europeias demoraram mais de um século para vivenciar. A questão já é debatida e os temas são ampliados com o Dia dos Avós, neste 26 de julho.
A drástica mudança na pirâmide etária brasileira alerta sobre discussões de situações, como a queda na taxa de natalidade e a evolução da expectativa de vida, impactando diretamente no mercado de trabalho, a previdência social e as demandas por serviços de saúde.
A avó e especialista em liderança e gestão, palestrante, mentora, consultora organizacional, engenheira e escritora, Sônia Jordão, lembra que a data foi instaurada pelo Papa VI, no século XX, como uma homenagem aos avós de Jesus, Santa Ana e São Joaquim. Contudo, diferentemente dessa época e dos pais que devem estar focados nas regras para criar filhos, os avós têm maior liberdade, vivendo um amor considerado incondicional. “Afinal, estamos livres da pressão, podendo aproveitar o crescimento dos netos sem nos preocuparmos integralmente com a formação deles” afirma.
A figura dos avós é uma ponte para o passado, sendo os guardiões da memória familiar. Eles ensinam tradições e mantêm a memória com as lembranças e pequenos atos para fortalecer a identidade familiar.
Mesmo com um curto tempo de convivência, as lembranças dos momentos tendem a permanecer para sempre, como registrado, por exemplo, no trecho do poema “A Casa dos Avós” do livro “O Sopro do Belo”, uma homenagem da poeta diamantinense, a filósofa e advogada, Beth Guedes, às memórias da infância:
“A voz entra no tempo, a doce fala do avô:
Entra! Branquinha, Sá Beca, Lisinha!
Corro para seus braços, estou em paz…
neste abraço cabe um recital de poemas
quintal, poço, café, milho, bananas, ternura
suas mãos carinhosas amando as plantas
Na colheita do café cato grãos vermelhos, doces
agora colho saudades que lacrimejam o olhar
e a menina revive em meio à recordação
as marcas impressas na escritura do ser”
Além disso, a avó e PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, explica que os avós são porto seguro emocional, extremamente benéfico para o desenvolvimento infantil. Eles proporcionam uma escuta atenta, sem o peso de obrigações e atividades diárias, permitindo que as crianças fiquem confortáveis para se expressar e serem valorizados, fortalecendo a identidade, autoconfiança e resiliência. O acolhimento é essencial em todas as fases da vida, mas é extremamente especial, quando manifestado por pessoas tão queridas.
Ainda é essencial recordar que o convívio com os avós não é benéfico apenas para os netos, afinal, também para os pais durante o processo de viver a paternidade, convivendo com a insegurança. “Neste caso, o grupo é visto como rede de apoio, não apenas física, como emocional, reduzindo o estresse”, assegura a especialista.
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