*** Rubens Andrade Grochowski, oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães
O glaucoma é uma doença ocular perigosa que, infelizmente, não recebe a devida atenção no Brasil. A Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) estima mais de 900 mil brasileiros com o problema, conhecido por provocar cegueira irreversível.
O Conselho Brasileio de Oftalmologia (CBO) alerta que o risco se torna cada vez maior com o envelhecimento. A probabilidade sobe para 2%, a partir dos 40 anos e, para 6%, aos 70, sendo que, negros e pardos estão entre os mais acometidos - em uma chance de 3,8% contra 2,1% em brancos.
Os dados do CBO registram que, entre 2019 a 2023, mais de 300 mil brasileiros foram acompanhados e tratados para que não perdessem suas visões de maneira definitiva.
A condição é causada pelo aumento da pressão intraocular, comprometendo o nervo óptico, ligado ao cérebro. Dentro do olho está o humor aquoso, um líquido nutriente da córnea e que mantém a temperatura interna em níveis ideais, contudo, quando não se movimenta, pode, aos poucos, causar a morte de células sensoriais, elevando a pressão local.
A doença decorre de uma série de fatores de risco, como o histórico familiar; idade igual ou superior a 45 anos; pressão e colesterol elevados; estresse; enxaqueca; apneia do sono; altos graus de miopia e hipermetropia; uso de colírios ou corticoides por tempo prolongado e-ou de maneira inadequada e algumas patologias, como o lúpus ou diabetes.
Os sintomas do glaucoma podem ser tardios, dificultando um diagnóstico precoce, exceto entre as pessoas com hábito de check up anual ocular. A atenção deve estar nos sinais - já considerados perigosos - como a perda gradual da visão periférica, visão turva e-ou embaçada, de forma súbita, a presença de halos ao redor das luzes, dor intensa, vermelhidão e náuseas.
O grande risco está na cegueira, que, diferentemente da catarata, é irreversível, sendo a principal causa de perda de visão no Brasil e no mundo. A situação ocorre, sobretudo, pela ausência de conhecimento em relação aos riscos e, claro, a falta de costume de milhares de brasileiros em não consultar um oftalmologista periodicamente.
A patologia se subdivide em glaucoma de ângulo fechado ou aberto. Nos casos de ângulo fechado, ocorre um aumento da pressão intraocular devido a fatores anatômicos. Já no segundo caso, a doença é silenciosa e frequentemente diagnosticada em estágio avançado, quando já existe perda na visão.
É preciso alertar que o glaucoma não tem cura, sendo acompanhado pela vida. Por muitos anos, a única alternativa de tratamento estava nos colírios, aplicados ao longo do dia para controlar a pressão. Apesar de ainda serem muito utilizados, a medicina evoluiu e, agora, uma cirurgia chamada Selective Laser Trabeculoplasty (SLT), reduz o uso de colírios ou elimina a necessidade de forma total, proporcionando maior conforto no cotidiano.
O método é considerado rápido e indolor, usando um laser para abaixar a pressão com a facilitação da saída do humor aquoso - líquido composto de água e sais para nutrir a córnea e regular a pressão. Os casos mais graves requerem uma cirurgia com abertura extra para escoamento do líquido.
No entanto, apesar de todas as vantagens, o SLT ainda requer o acompanhamento com oftalmologista para monitoramento, pois as possíveis alterações do órgão podem causar a necessidade de passar por uma nova intervenção para controle. A prevenção garante maior qualidade de vida e longevidade da saúde ocular.
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