O comércio varejista brasileiro registrou um crescimento de 0,5% na passagem de fevereiro para março, impulsionado principalmente pela desvalorização do dólar, que estimulou as vendas de produtos importados. Conforme dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este desempenho marca a terceira alta consecutiva do setor, que alcançou seu maior patamar histórico.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, março de 2023, o volume de vendas do comércio avançou 4%. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão verificada foi de 1,8%.
A seguir, confira a variação mensal do comércio nos últimos períodos:
- Outubro: 0,5%
- Novembro: 1%
- Dezembro: -0,3%
- Janeiro: 0,5%
- Fevereiro: 0,7%
- Março: 0,5%
Cristiano Santos, analista da pesquisa do IBGE, destacou que o setor mantém uma tendência de alta desde outubro de 2025, um movimento que não foi revertido nem mesmo pelo recuo observado em dezembro.
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Desempenho por atividades
Entre os oito grupos de atividades varejistas analisados pelo IBGE, cinco registraram crescimento na comparação mensal:
- Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 5,7%
- Combustíveis e lubrificantes: 2,9%
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 2,9%
- Livros, jornais, revistas e papelaria: 0,7%
- Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,1%
- Tecidos, vestuário e calçados: 0% (estável)
- Móveis e eletrodomésticos: -0,9%
- Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -1,4%
O especialista Cristiano Santos explicou que o expressivo aumento de 5,7% na atividade de equipamentos para escritório, informática e comunicação está diretamente ligado à valorização do real frente ao dólar. A queda da moeda americana tornou os produtos importados mais acessíveis aos consumidores.
Em março, a cotação média do dólar foi de R$ 5,23, significativamente menor que os R$ 5,75 registrados no mesmo mês do ano anterior.
Santos detalhou que “as empresas aproveitam para compor estoque com a redução do dólar e, depois, em momentos oportunos, fazem promoções. O mês de março foi importante por causa dessas promoções. Equipamentos de informática têm essa característica de ligação com o dólar”.
O analista também observou que, apesar do aumento nos preços dos combustíveis, influenciado pela guerra no Oriente Médio, a atividade de combustíveis e lubrificantes avançou 2,9%, indicando que “a demanda não caiu”.
Consequentemente, o aumento dos preços resultou em um crescimento de 11,4% nas receitas geradas por essa atividade no mês.
Desempenho dos supermercados
Cristiano Santos apontou que a retração de 1,4% na categoria de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que representa mais da metade do setor de comércio, pode ser atribuída à inflação, que impacta o poder de compra dos consumidores.
Comércio varejista ampliado e atacado
No segmento do comércio varejista ampliado, que engloba atividades de atacado como veículos, motos, partes e peças, material de construção e produtos alimentícios, bebidas e fumo, o indicador registrou uma alta de 0,3% de fevereiro para março. No acumulado de 12 meses, este setor expandiu 0,2%.
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