*** Rubens Andrade Grochowski, oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães
Algumas patologias são mais perigosas do que aparentam, como o glaucoma, capaz de roubar a visão das pessoas sem apresentar sinais. Por esse motivo, as campanhas de conscientização se intensificam, ao longo do mês de maio, visando prevenir a principal causa mundial de cegueira irreversível.
A doença é uma condição ocular frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular, causando danos ao nervo óptico, responsável por levar as imagens ao cérebro. Dentro do olho, é produzido constantemente o humor aquoso, um líquido que nutre a córnea e o cristalino, mantendo a pressão e o formato do globo ocular. Quando há uma falha ou obstrução no escoamento natural desse líquido, fica acumulado, elevando a pressão interna e comprimindo as células nervosas, que passam a morrer lentamente.
Os fatores de risco envolvem questões genéticas, outras doenças oculares - como o elevado grau de miopia -, pressão alta, estresse, enxaqueca, colesterol alto, apneia do sono e uso de determinados tipos de medicamentos, de forma que indivíduos atingidos por esses problemas, devam ter ainda mais atenção.
Além disso, a idade também é um fator de risco, junto da cor da pele. O glaucoma se torna mais comum a partir dos 40 anos, com a prevalência aumentando exponencialmente com o envelhecimento. Para se ter uma ideia, um estudo do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicou que a prevalência do problema em idosos acima de 70 anos é de 6%, com risco maior para negros e pardos.
A condição é conhecida pelo perigoso efeito e início assintomático, com sinais como a perda gradual da visão periférica, dor ocular intensa, visão turva, halos, dor de cabeça, náuseas e vômitos, surgindo apenas, em estágio mais avançado. A situação dificulta o diagnóstico precoce em brasileiros sem o costume de visitar anualmente um oftalmologista para um acompanhamento da saúde ocular.
Entretanto, como o intuito é conscientizar, é preciso explicar também, que os sintomas variam conforme o tipo da doença, podendo ser de ângulo aberto ou fechado. O primeiro é considerado mais comum, sendo frequentemente diagnosticado em estágio avançado, enquanto o segundo, ocorre por fatores anatômicos.
O glaucoma não possui cura, de forma que deve ser tratado por toda a vida. O diagnóstico permite prevenir a perda da visão, que diferentemente da catarata - a popular doença ocular - não pode ser revertida.
Os cuidados envolvem acompanhamento médico, uso de um ou mais colírios hipotensores específicos para o caso, aplicados diariamente. Porém, o avanço da tecnologia permitiu o desenvolvimento de um procedimento a laser, capaz de reduzir ou eliminar a necessidade do uso desses medicamentos, de maneira total ou parcial.
O procedimento é chamado de Selective Laser Trabeculoplasty (SLT). O auxílio de um laser melhora o escoamento do humor aquoso e diminui a pressão local. Considerado altamente eficiente e de baixo risco, o paciente fica livre dos colírios e mantém a pressão em níveis adequados para evitar o avanço da doença.
As consultas de rotina são essenciais e, segundo o CBO, permitiram que mais de 300 mil brasileiros, entre 2019 e 2023, pudessem ser tratados a tempo, sem correrem o risco de perder a visão. Por outro lado, ao longo do mesmo período, mais de 85 mil passaram por cirurgia para controle, representando 55 operações diárias.
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