A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, 22 anos, causou comoção por ser considerada inesperada. O jovem era saudável e estava em fase de preparação para uma competição. O diagnóstico da morte como cardiomiopatia hipertrófica é um alerta sobre as famosas “bombas”, capazes de influenciar essa doença, de origem genética, comprometendo a saúde vascular de maneira profunda.
As bombas hormonais também são chamadas de anabolizantes, conhecidas por possuírem testosterona - um hormônio majoritariamente masculino, definindo algumas características corporais - como principal derivado. Muitas pessoas usam essa opção para facilitar o crescimento celular e o desenvolvimento de tecidos para definição corporal, evitando depender apenas da atividade física e alimentação regrada para garantir o ganho de massa e hipertrofia dos músculos.
O cirurgião vascular, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Josualdo Euzébio Silva, alerta que os riscos do consumo de hormônios são muito altos. “O processo amplia a probabilidade de desenvolver trombose, embolia pulmonar e varizes, provocando também alterações no colesterol e na pressão arterial. Os efeitos dos hormônios deixam o sangue mais espesso, contribuindo para a formação de coágulos, sobretudo nos membros inferiores, cuja circulação é naturalmente mais lenta”, explica.
É importante entender que a trombose é considerada uma patologia grave e requer rápido atendimento especializado e eficiente, pois pode levar a uma amputação ou evoluir para embolia. A condição obstrui a circulação no pulmão, causando dor no peito, falta de ar, tosse - com ou sem a presença de sangue - e a taquicardia. A doença apresenta alto potencial para provocar óbito.
Os hormônios ainda reduzem o colesterol bom e elevam o ruim, acelerando o entupimento das artérias, sobrecarregando os vasos sanguíneos com a oclusão e alterando a pressão arterial. Os anabolizantes são indicados para pacientes em reposição hormonal, devido a uma deficiência do corpo em produzi-lo, apresentando imunodeficiência adquirida, baixo peso ou serem transgênero, por exemplo.
Para Josualdo, as avaliações médicas são sempre importantes. A pessoa deve passar por um check-up vascular para prevenir problemas, garantir mais segurança e qualidade de vida, mesmo que não seja para competir.
A recomendação é consultar um médico para analisar as condições de saúde e esclarecer riscos, mantendo o acompanhamento. A avaliação permitirá, de acordo com a regulamentação do Conselho Federal de Medicina, prescrever a dosagem adequada de hormônio, caso necessário. Geralmente, a indicação só é feita em casos de deficiência hormonal específica, clinicamente comprovados, cujos benefícios à saúde superam os riscos.
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