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Leônidas Oliveira lança o livro “Manual da Mineiridade — Fundamentos para Conhecer Minas Gerais”, dia 23 de novembro, na Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). A obra é uma das investigações mais aprofundadas já realizadas sobre a essência, o modo de ser e a cosmovisão do povo mineiro, apresentando prefácio do cantor Rogério Flausino. 

O livro surge como fruto maduro de anos de vivência pública, pesquisa acadêmica e imersão sensível nas manifestações materiais e imateriais de Minas Gerais. Mais do que um compêndio geográfico ou histórico, o Manual da Mineiridade se posiciona como um verdadeiro manifesto sobre a urgência de resgatar valores essenciais em um mundo hiperconectado, acelerado e fragmentado. O projeto aponta como a cultura de Minas foi moldada nas dobras das montanhas, na arquitetura barroca, nas cozinhas afetivas, nos rituais de acolhimento e no diálogo perene, servindo como bússola ética e política para o restante do país.

 Segundo o músico Rogério Flausino, a impressão é que o mineiro é mineiro demais até para falar de si mesmo. Ainda assim, Flausino falou “A escrita de Leônidas Oliveira neste lindo Manual da Mineiridade é fluida e poética e, ao mesmo tempo, riquíssima em contornos históricos, geográficos, geológicos, religiosos e folclóricos, reorganizando, com a leveza de um “bom mineiro”, a nossa longa linha do tempo como povo e sociedade, costurando glórias e derrotas, origens e costumes que nos moldaram e nos trouxeram até aqui, com a humildade e a maturidade necessárias para que ainda possamos apreciar, saborear e valorizar” ...a grandeza das coisas comuns...”

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 O autor conta que o livro nasceu da escuta. “Não da pressa de definir Minas, mas da demora necessária para percebê-la. Porque Minas não se entrega de imediato. Minas se insinua. Surge na dobra da montanha, no rumor baixo em uma cozinha, no sino que atravessa a tarde, na poeira vermelha que sobe da estrada, no adro onde o povo se reúne, no quintal onde a vida amadurece em silêncio”, relata. 

 Oliveira destaca que Minas não é apenas um lugar. É uma forma de sentir, pensar, conviver e permanecer no mundo e, assim, o texto se delineou da experiência e da travessia. A verdade é que esse manual nasceu de muitos anos percorrendo o estado, de muitas conversas, festas, missas, mercados, museus, cidades, povoados, cozinhas, arquivos, montanhas e sertões.  

“Nasceu também de uma reflexão amadurecida ao longo do tempo e tornada pública numa Lectio doctoralis, em que procurei organizar, sob a forma de pensamento, aquilo que a própria vida mineira já me ensinava. Mas, se aquela fala foi mais arquitetônica, este livro deseja ser mais próximo. Há lugares que são paisagem. E há lugares que são método. Minas é método. Não método no sentido rígido da fórmula, do esquema ou da repetição mecânica. Método, aqui, é disciplina sensível do olhar, do gesto, da convivência e da forma. É uma maneira de aprender com a terra, com a água, com a montanha, com a casa, com a mesa, com a fé, com a palavra e com a cidade. É uma inteligência prática e simbólica que ensina a atravessar o mundo sem perder a medida. Ao longo deste livro, Minas apareceu como território, travessia, pluralidade, cozinha, fé, linguagem e cidade. Nada disso é acidental. Tudo isso compõe um modo de existência. Minas não é apenas um tema brasileiro. É uma forma de elaboração humana do limite, da beleza, da convivência e da profundidade. Por isso, falar de mineiridade não é descrever um costume regional. É tocar uma hipótese de civilização”, revela.

A cada página, Leônidas demonstra como há algo de muito mineiro nessa combinação entre fluxo e interioridade. A água ensina a ir; a montanha, a conter; a cidade, a mediar; a cozinha, a reunir; a fé, a honrar o invisível; a palavra, a cuidar do vínculo. Tudo isso, reunido, forma método. É por isso que Minas pode ser lida como uma escola do limite e do equilíbrio  

Para Marcus Ferreira, editor da obra e diretor da Editora Vem Com a Gente, Leônidas Oliveira apresenta uma capacidade rara em transitar com fluidez pelo rigor técnico da arquitetura, da urbanística e da história da arte, e a delicadeza lírica da observação antropológica. “Ao longo das 142 páginas, é possível compreender que ser mineiro não é um privilégio de berço, mas uma atitude perante a existência. A abertura do livro já adverte que, se Tiradentes ensinou a ousadia de sonhar a liberdade e Tancredo legou a arte insubstituível do diálogo, Leônidas Oliveira atualiza essa tradição, transformando a mineiridade em política pública, em afeto institucionalizado e em convite permanente à reconciliação nacional”, destaca.

  Ele afirma que a mineiridade não cabe em estereótipos rasos de sotaques ou iguarias, constituindo uma sofisticada tecnologia social de convivência. O Manual da Mineiridade não engessa o espírito de Minas em moldes nostálgicos ou ufanistas. O texto propõe uma arqueologia do presente, mostrando que a moderação mineira, a escuta atenta, o apreço pela conversa mansa e a profunda centralidade da cultura são respostas sofisticadas e urgentes aos radicalismos contemporâneos. É uma obra que demonstra como Minas Gerais guarda, em seu solo e em seu povo, a chave secreta para a síntese nacional.

Oliveira confessa ao longo da obra que foi assim que entendeu o fato de Minas não ser unidade simples, mas síntese viva. Não é bloco homogêneo. É composição. Não é uma paisagem única. É um sistema de paisagens, memórias, vozes, ritmos e modos de vida. Há muitas Minas dentro de Minas. E é justamente dessa pluralidade, atravessada por uma surpreendente coerência interior, que emerge aquilo que se chama de mineiridade.

Livro Manual da Mineiridade
Livro Manual da Mineiridade

É importante explicar, segundo ele, que o título tem Manual, não porque desejou reduzir Minas a uma cartilha. Muito menos, porque pretendeu ensinar uma identidade como quem oferece um esquema pronto. “Chama-se Manual por oferecer fundamentos. Quer ser um instrumento de aproximação. Um mapa para quem chega. Um espelho para quem se reconhece. Um caderno de trabalho para quem pensa cultura, turismo, patrimônio, educação, comunicação, planejamento e políticas públicas. Um livro de entrada, mas também de aprofundamento. Um livro para ler e para usar. Porque conhecer Minas exige método”, enfatizou.

 Leônidas Oliveira associou reflexão histórica, ensaio artístico e poesia, para deixar claro que Minas não se compreende com pressa. Minas exige permanência. Quem apenas passa, vê pouco. Quem demora, começa a entender. Aos que sabem que um território não é apenas chão, mas também forma de vida. 

“A mineiridade, antes de ser explicada, precisa ser reconhecida. E reconhecê-la é uma forma de voltar para casa. E, em Minas, o ponto de vista muda o mapa, o tempo e a interpretação. A tese que sustenta estas páginas é simples e exigente: o território é sujeito da história, não cenário dela. É afirmar que o território tem gramática. Ele ensina escala, tempo, limite e cuidado”, ressalta.


LEÔNIDAS OLIVEIRA 

Leônidas Oliveira é Secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e está no segundo período à frente da pasta, pois exerceu a função de maio de 2020 a setembro de 2025, retornando ao cargo. É arquiteto e urbanista, especialista em História da Arte e mestre em Restauração do Patrimônio Arquitetônico e Urbano pela Universidade de Alcalá de Henares (Espanha) e RAE (Roma). Ele possui título de PhD em Teoria da Arquitetura pela Universidade de Valladolid, na Espanha, e atua como professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Com uma trajetória marcada pela articulação entre patrimônio cultural, turismo sustentável e políticas públicas inovadoras, liderou importantes marcos de valorização da identidade mineira no cenário nacional e internacional, consolidando a cultura e o turismo como eixos fundamentais do desenvolvimento econômico e social de Minas Gerais.

Leônidas Oliveira
Leônidas Oliveira

SERVIÇO 

Evento: Lançamento do livro Manual da Mineiridade — Fundamentos para Conhecer Minas Gerais

Autor: Leônidas Oliveira

Data: 23 de novembro

Local: CDL-BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte)

Horário:  18h

Valor do livro: 89,90

Como comprar: https://www.amazon.com.br/dp/8554328892