A notícia sobre um menino autista, de apenas quatro anos, encontrado amarrado no banheiro de uma escola na Grande Curitiba, repercutiu pelo Brasil e provocou revolta pela crueldade. Segundo a guarda municipal, a criança estava com os pulsos e a cintura amarrados com tiras de tecido e a professora afirmou ter tomado a decisão, porque ele estava muito agitado. Ela foi presa por tortura, mas já se encontra solta.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta muitas particularidades, mas, nunca justifica esse tipo de ação violenta. Segundo a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, normalmente, a agitação é decorrente de dificuldades de comunicação e interação social, processamento de informações ou sensibilidade sensorial. Qualquer estímulo excessivo ou frustração pode desencadear esse tipo de comportamento, que nada tem a ver com falta de educação.
O tipo de autismo também influencia muito sobre determinados comportamentos. O transtorno é dividido em três diferentes graus indicadores do nível de dependência e da necessidade de suporte, sendo que o nível um é considerado leve, o dois, moderado e, o três, severo, exigindo apoio de um profissional qualificado.
O preparo dos professores é essencial para lidar com crianças, não apenas portadoras de TEA, mas de outros transtornos que afetam a mente e dificultam a participação em atividades consideradas básicas para outras crianças, como interagir e aprender.
A verdade é que cada pessoa apresenta diferentes particularidades e carências, uma vez que a condição possui aspectos amplos. “Além do conhecimento básico, é preciso que os profissionais conheçam muito bem seus alunos e tenham acesso direto aos familiares e ao especialista responsável pelo acompanhamento complementar, que pode envolver mais de uma especialidade”, afirma Ângela.
O primeiro passo começa com a avaliação que identifica necessidades de cada aluno com TEA, a partir de então, as estratégias são desenvolvidas, considerando fatores como as habilidades e dificuldades.
Os planos personalizados permitem aos educadores maior controle sobre a evolução do aluno em sala de aula. O uso de abordagens específicas permitem a inclusão e acolhimento, sendo ainda, atividades adaptáveis, que mudam conforme a evolução e necessidade. Contudo, não basta apenas ter conhecimento básico, é preciso se capacitar em treinamentos com especialistas.
A dignidade de uma criança autista em sala de aula é prevista por lei e não deve sofrer pelas mãos de docentes sem paciência ou conhecimento suficiente para ampará-las e lidarem com suas necessidades. O acolhimento acontece primeiramente em um ambiente de conforto e segurança.