O Brasil lida com os mesmos problemas na educação há muitos anos, quer seja pela infraestrutura, qualidade do ensino e, até mesmo, o investimento em alunos, como revela os dados do relatório Education at Glance 2025. A estatística aponta um recurso muito baixo, deixando o país como 4° em menores investimentos mundiais, registrando apenas US$3.872 por estudante.
Para se ter uma ideia, outros países investem uma média de US$12.438 - com valores calculados conforme a paridade de poder de compra de cada localidade - deixando o gasto nacional 31% menor que outras nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O investimento brasileiro em educação superior é ainda menor que o ensino básico, na contramão de outros países ricos com recursos para pesquisa e desenvolvimento. O investimento brasileiro é de apenas US$ 3.765 dólares, contra a média de US$15.102.
Contudo, não são só os alunos que se encontram desvalorizados, os professores também tiveram sua realidade escancarada pela pesquisa. Apenas Grécia e Eslováquia pagam menos que o Brasil, responsável por destinar uma média de US$24.526, ou seja, R$132 mil ao ano, aos docentes do 6° ao 9° ano do fundamental, equivalendo a apenas 52% da média dos países da OCDE: US$47.339 ou R$237 mil. Luxemburgo tem a melhor quantia: US$99.621. É importante explicar que o mesmo cálculo de paridade foi utilizado para os resultados, considerando ainda as eventuais bonificações e o 13° salário.
Para a PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, os grandes interesses por trás dos investimentos na área da educação são diversos, variando entre impulsionamento do desenvolvimento pessoal, promoção de igualdade de oportunidades de emprego e salário, colaborando para o crescimento econômico dos seus cidadãos e, consequentemente, o país, contribuindo para cidadãos mais informados, críticos e capazes de auxiliar com a formação da sociedade.
É por esse motivo, que os gastos na área são tão cobrados, porém, fatores como corrupção, má gestão, prioridades orçamentárias, pouca infraestrutura e a baixa remuneração dos professores, comprometem o desenvolvimento.
As pesquisas como essa servem para ajudar os governantes a compreenderem pontos frágeis nos planos de governo e que, através de políticas públicas, é possível implementar novas ideias e mudanças para melhorar essa dura realidade. Entretanto, Ângela recorda que não basta apenas o interesse do governo, a população deve também lutar por seus direitos e cobrar melhorias. A educação é a base de uma nação e deve ser tratada com seriedade.
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