Com a rotina mais acelerada, demandas de trabalho e pressões sociais, o hábito de se sentar à mesa para compartilhar refeições em família segue como uma poderosa ação, capaz de garantir saúde mental, individual e coletiva. Afinal, mais do que alimentar o corpo, a troca comunicativa e o fortalecimento de vínculos são ingredientes fundamentais para o desenvolvimento psicológico pessoal.
A PHD em neurociências, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, declara que diversos estudos científicos apontaram que a frequência das refeições em família está associada a indicadores positivos de saúde mental. “Os adolescentes que participam regularmente dessa mesa apresentam níveis mais baixos de depressão, menos dificuldades emocionais e uma percepção de bem-estar superior, quando comparados aos outros”, explica.
Os benefícios não se restringem apenas a essa faixa etária. Algumas pesquisas com adultos revelaram que pais em refeições frequentes com filhos relatam maior funcionamento familiar, maior autoestima e níveis mais baixos de sintomas depressivos e estresse.
Geralmente, do ponto de vista neurobiológico, os momentos de socialização contribuem para ativar os sistemas de recompensa cognitiva e afetiva, liberando neuroquímicos facilitadores da sensação de acolhimento e prazer social.
A verdade é que a mesa proporciona um ambiente ritualizado de comunicação com valores, histórias, sentimentos e rotinas compartilhados, estimulando sentimento de pertencimento, apoio social e regulação emocional.
Por isso, a refeição familiar é tão importante, sem importar a fase da vida, proporcionando acolhimento, reduzindo a ansiedade, modulando comportamentos sociais, desenvolvendo empatia e normas de cuidado, melhorando o humor e fortalecendo os vínculos. Para Ângela, todos esses elementos são pilares de um senso de coerência de vida que psicólogos e neurocientistas associam à resiliência em face de adversidades.
Minas Gerais apresenta uma forte tradição cultural de mesa farta e reunião familiar, algo ainda experienciado em milhares de lares, mesmo que os momentos livres tenham se tornado cada vez mais escassos. A mesa familiar é mais que um local de nutrição física, sendo um espaço de afeto, escuta e pertencimento, sustentando a saúde mental dos membros, sendo um porto de conexão e equilíbrio.
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