Os diagnósticos de sífilis crescem no Brasil e o que poucos se lembram é que a bactéria, responsável pela doença, também pode atingir os olhos, na chamada sífilis ocular. A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) com diferentes estágios indicadores da evolução e, a maneira como atinge o corpo, assim como sua capacidade de transmissão, sendo maior durante o primeiro e segundo níveis.
A oftalmologista do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Paula Guimarães, explica que a manifestação ocular acontece em estágios mais avançados e afeta as estruturas do olho. Os primeiros sintomas são a dificuldade para enxergar, dor nos olhos e uma persistente vermelhidão, que podem, na verdade, representar uma série de doenças oculares.
A recomendação é consultar um oftalmologista rapidamente para análise, evitando a evolução e o desenvolvimento do problema, atingindo, principalmente, a retina, através de lesões, hemorragias intra-retinianas, vasculite (inflamação nos vasos) e o edema de mácula, provocando um inchaço na camada de tecido. Paula alerta que, caso o tratamento não seja realizado adequadamente, existe o risco de perder a visão de maneira irreversível.
A sífilis também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação, no tipo congênito, apresentando vários riscos e, não apenas oculares. Porém, na oftalmologia, o perigo para a criança está na diminuição do globo ocular, catarata, lesões na retina e cegueira, de forma que as grávidas precisam passar por um acompanhamento especial. A prevenção é usar camisinha durante as relações sexuais e em caso de suspeita, o teste rápido, disponível nas unidades públicas de saúde, permite a adoção de um tratamento precoce.