As “bets” caíram no gosto dos brasileiros em relação às apostas online. A facilidade de apostar e ganhar dinheiro, tudo na palma da mão, são diferenciais atrativos para se divertir e faturar facilmente. Contudo, a situação gerou viciados com problemas familiares e de saúde mental, estimulando o Sistema Único de Saúde (SUS) a anunciar o teleatendimento grátis aos mais necessitados.
O serviço é para pessoas com 18 anos ou mais, apresentando compulsão por jogos, uma parceria firmada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema único de Saúde (Proadi-SUS) com o Hospital Sírio-Libanês.
A situação é bastante grave. A pesquisa “Plataformas On-line” da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), em Belo Horizonte, revelou que 81,8% dos entrevistados nunca realizaram apostas, enquanto os outros 18,2% restantes se dividem entre os que já apostaram, mas não fazem mais (8,5%) e jogam com alguma frequência (9,7%).
Além disso, até 42,5% dos adictos contaram que a principal motivação de apostar está no lazer e entretenimento, seguida da intenção de ganhar dinheiro (30%). Já aproximadamente 20%, admitiram apostar devido ao vício. É preciso lembrar que essa realidade pode ser ainda maior, uma vez que muitas pessoas ficam constrangidas em assumir sofrer dessa compulsão.
O levantamento ainda apontou que 12% dos entrevistados deixaram de pagar contas básicas do cotidiano para usar o dinheiro em apostas, em uma tentativa de faturar ainda mais do que o utilizado.
As consultas serão realizadas por vídeo, com duração média de 45 minutos. Cada paciente pode ter até 13 sessões, sendo em grupo com sua rede de apoio - amigos e família - ou de maneira individual. Todo o processo é confidencial e os profissionais formam uma equipe multiprofissional, envolvendo psicólogos, terapeutas, psiquiatras, assistentes sociais e médicos, integrando o indivíduo a serviços locais. A proposta é estar preparado para diferentes demandas.
Entretanto, a neurocientista, psicanalista e psicopedagoga, Ângela Mathylde Soares, afirma que muitas vezes, essa realidade não ocorre, provocando os primeiros problemas, pois a elevação das dívidas requer recorrer ao dinheiro de reserva financeira, optar pela venda de bens materiais, como objetos e a própria casa e, até mesmo, envolvimento com agiotas. Nem sempre preocupados em pagar os débitos e, sim, em manter o vício.
Os problemas familiares também se tornam inevitáveis e decisões como o divórcio acontecem, pois é difícil permanecer com pessoas que não demonstram ter ações confiáveis e causam tantos problemas.
De acordo com Ângela, os jogos de maneira geral levam à dependência, devido a forma como influenciam o cérebro, através da liberação de dopamina, a ilusão de controle, adrenalina, uma combinação perigosa, estimulando os apostadores a não usarem a razão e, sim, a emoção, para continuar apostando em busca de dinheiro.
O cadastro para as consultas virtuais já está disponível e deve ser feito pelo aplicativo “Meu SUS digital”, disponível nas lojas Android, IOS ou na versão web. O interessado deve se conectar na conta do governo e clicar no item “Miniapps”, em seguida, selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”. Um autoteste é oferecido para orientar e identificar sinais de risco - que se forem moderados ou elevados -, são automaticamente encaminhados ao atendimento.
Comentários: