Apesar das diversas conquistas ao longo dos anos, as mulheres ainda precisam superar várias adversidades, devido ao pensamento machista e patriarcal, ainda enraizado na sociedade. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, mesmo mais escolarizadas, elas ainda recebem, em média, 21% a menos que eles.
Uma mulher em cargo de gerência ganha cerca de R$5.870 reais, enquanto os homens, R$7.948. A diferença é ainda maior em profissões ligadas à área científica e intelectual, ou seja, envolvendo pesquisas, chegando à marca de 36,7%. O único segmento em que elas apresentam uma ligeira vantagem é no militar.
Os dados do IBGE revelam que 21,3% das brasileiras, acima de 25 anos ou mais, são graduadas, índice quase 5% maior que entre os homens (16,8%). Outro porém é que, assim como o salário delas é inferior em áreas científicas, a presença e formação também tendem a ser menor em ciências, tecnologias, matemática e engenharias, praticamente compostas por homens, fazendo com que elas sejam apenas 22% dos formandos, apresentando, na verdade, uma queda, se comparado há 10 anos, quando a porcentagem era 23,2.
Em compensação, as áreas ligadas à atenção e o cuidado com o próximo, como enfermagem e o serviço social, são quase maioria absoluta, correspondendo a 92% das graduações.
É por isso que, inclusive, as mulheres ainda são maioria em aspectos ligados ao trabalho doméstico e cuidado familiar, principalmente, se são pretas e pardas, já que, até hoje,14,7% delas ainda possuem menos acesso ao ensino superior que as brancas.
Por motivos como esses, a pesquisadora e advogada do escritório Vasconcelos Rodrigues de Oliveira Advogados Associados, Maria Inês Vasconcelos, afirma que o feminismo ainda é tão essencial na sociedade, porque a luta busca pela igualdade e não superar eles. É em razão disso que vitórias individuais do grupo precisam ser prestigiadas, por exemplo, mais recentemente, a neurocientista e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Angela Wyse, foi considerada uma das cientistas do ano pelo prêmio International Achievements Research Center (IARC), pela segunda vez, em quatro anos.
No último ano, quatro mulheres de diferentes países também receberam o Prêmio Nobel, por seus trabalhos de pesquisa em benefício da humanidade e promoção da paz, nos campos da física, química, medicina, literatura e economia. Apesar dessa conquista, o prêmio ainda é voltado para homens, refletindo a dificuldade de inserção e de visibilidade de muitas delas.