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Quarta-feira, 20 de Maio 2026
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DEFICIENTES AINDA CONVIVEM COM PRECONCEITO E EXCLUSÃO PROFISSIONAL

Infelizmente, o preconceito estrutural provoca o prejulgamento que a deficiência causa incapacidade para realizar tarefas e outras demandas, subestimando habilidades

DEFICIENTES AINDA CONVIVEM COM PRECONCEITO E EXCLUSÃO PROFISSIONAL
Beth Guedes
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*** Beth Guedes, filósofa, advogada e poeta, autora dos livros “As flores do jardim de mãe” e a “Caligrafia do entardecer”

O ingresso no mercado de trabalho é uma tarefa desafiadora para qualquer pessoa e, principalmente, quando se trata de alguém com deficiência (PCD). Apesar da evolução das leis e pensamentos, o preconceito segue presente no cotidiano social, sendo, muitas vezes, arraigado na mente de grande parte dos brasileiros que não têm parentes e-ou amigos ou convivem com a condição. O Brasil conta com aproximadamente 14,4 milhões de indivíduos nessas condições, segundo o último levantamento do tema divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2025, representando cerca de 7,3% da população com 2 anos ou mais.

O primeiro entendimento essencial está em compreender o que, de fato, significa e engloba o termo PCD. A definição prioriza o indivíduo em relação à sua condição de limitação a longo prazo, sendo de caráter físico, mental, intelectual ou sensorial - decorrente de amputações, cegueira, surdez e síndrome de down -, assim como suas combinações. As mais diversas condições da deficiência impõem barreiras, provocando exclusão social, escolar e, até mesmo, profissional.

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Apesar de relativamente frequente, o capacitismo ainda é comum no dia-a-dia dos deficientes, devido a uma série de fatores históricos, culturais e estruturais, gerando estranhamento de corpos e comportamentos considerados fora do padrão. Fica inevitável pensar que o problema é comum no mercado de trabalho.

Infelizmente, o preconceito estrutural provoca o prejulgamento que a deficiência causa incapacidade para realizar tarefas e outras demandas,  subestimando as habilidades.

As leis, como a de Cotas (n°8.213/91), foram criadas para garantir inclusão e acessibilidade ao grupo, mas, ainda assim, existem limitações. Os problemas decorrem do fato que nem todas as empresas são obrigadas a seguir essas normas. A legislação determina que empresas com cem empregados devem separar o mínimo de 2% de suas vagas para PCDs. A porcentagem aumenta com a elevação do número de funcionários e, consequentemente, exclui pequenos negócios.

O empresário de porte menor deve ter consciência da importância de contratar um PDC, não por pena, mas pelo conhecimento da capacidade deles e que não devem ser excluídos por fatores fora de controle pessoais.

Infelizmente, muitas vezes, as organizações acabam ofertando vagas, não por compreenderem os efeitos dessa discriminação e se importarem com a inclusão, mas, sim, pela obrigação legal, visando evitar multas. A realidade leva a contratações superficiais, ao despreparo e conscientização da equipe, além da falta de adaptação do ambiente, sendo necessário considerar as necessidades do funcionário.

As adaptações são variadas, porém, muitas vezes, são bastante simples, abrangendo medidas como melhorias físicas - como rampas e banheiros acessíveis - tecnologias como teclados adaptados, sinalização e até a flexibilidade de horário, proporcionando autonomia e segurança ao colaborador.

Por outro lado, é inevitável negar o impacto da lei. Criada há mais de 34 anos, é considerada a principal ferramenta de inclusão profissional, empregando mais de 550 mil brasileiros deficientes com carteira assinada. A estimativa é que 93% do grupo esteja, justamente, trabalhando por meio de empresas obrigadas pela medida.

A expectativa é que cada vez mais pessoas criem consciência sobre a importância da inclusão de pessoas com deficiência e entendam a medida além da contratação. É preciso se livrar das amarras do preconceito e buscar compreender  a diversidade.

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