A luta das mulheres contra tantas injustiças é frequente e o machismo é uma delas. O feminismo não é uma busca para tomar o lugar social deles ou o direito da mulher se posicionar masculinamente. O feminismo é a capacidade delas se inserirem e se encontrarem no meio social, sem perderem sua essência e feminilidade.
Uma pesquisa da Ipsos revelou que a maior parte das brasileiras se considera feminista e que os temas e pautas mais urgentes no Brasil estão no abuso doméstico (50%), assédio sexual (41%) e violência física (36%). Em contrapartida, essa mesma pesquisa aponta que 27% dos brasileiros acreditam que a masculinidade tradicional está ameaçada atualmente.
Historicamente, elas sempre foram menosprezadas, tiveram suas habilidades e capacidades mentais questionadas. Uma das provas históricas disso está no fato delas só passarem a ter o direito a voto, em 1932. Outro fator histórico, considerado um símbolo da emancipação feminina, está na liberação da pílula anticoncepcional.
O quarteto responsável pela descoberta da pílula foi formado pela enfermeira e ativista Margaret Sanger, motivada pelo desejo de ter mais autonomia feminina com a possibilidade de escolher, se queria ou não ter filhos com as relações sexuais, juntando-se ao cientista Gregory Pincus, o ginecologista e obstetra John Rock e a bióloga e feminista Katharine McCormick, responsável pelo financiamento da pesquisa.
Pioneiramente, Margaret abriu sua primeira clínica de controle de natalidade, em 1916. Devido a distribuição de contraceptivos ser ilegal em Nova Iorque, com apenas nove dias de funcionamento, ela foi presa e, durante anos, o medicamento que daria mais liberdade sexual às mulheres, ficou com a venda proibida.
A pílula passou a ser comercializada em 1957 e, em 1960, foi liberada para uso contraceptivo. Mais essa conquista permitiu que as mulheres pudessem ter relações sexuais livremente, evitando o risco de uma gravidez indesejada.
Embora a sociedade tenha evoluído ao longo dos anos, ainda é lamentável a desigualdade entre os gêneros. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE apontam que as brasileiras ganham, em média, 20,5% menos que eles, mesmo desempenhando funções iguais. O movimento feminista, nada mais é, que uma reivindicação e um protesto das mulheres contra injustiças como essa.
Elas buscam por um espaço social, sendo muitas com filhos e maridos em casa e, ainda assim, vão à luta diariamente e trabalham para conquistar o próprio salário e a independência financeira. A mulher também batalha pelo respeito à sua liberdade e livre arbítrio.
Em geral, o movimento feminista é uma luta pela sobrevivência, respeito, igualdade salarial entre gêneros e pela inserção social delas, quer seja no mercado de trabalho ou na política, como em 1932. A verdade é que a ascensão do feminismo contribui para a queda da masculinidade tradicional brasileira, uma vez que a mulher está alcançando cada vez mais direitos e relevância no meio social, situação negada no passado.
*** Ângela Mathylde Soares – Neurocientista, psicanalista e psicopedagoga