A tecnologia revolucionou a forma como as pessoas consomem produtos. Marcas engajadas vendem mais. O cuidado com o meio ambiente e as causas sociais, diversidade e a inclusão são iniciativas sendo praticadas para o resgate da cidadania empresarial. A mudança de paradigma é a conscientização que o bem comum, novas habilidades e novas atitudes representam, não só o progresso ético e moral dos gestores, mas, ao se colocarem a serviço da igualdade de oportunidades e igualdade, também como defesa dos direitos fundamentais, as empresas agregam valor. O Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, nunca foi tão abordado.
Para a advogada trabalhista, doutora em educação, pesquisadora e professora convidada da Escola Superior de Advocacia, Maria Inês Vasconcelos, é essencial entender que, assim como qualquer outra pessoa, os autistas são trabalhadores qualificados e competentes. As pessoas com TEA podem ser empregados comprometidos e, hoje, já galgaram posições para atuar em atividades novas, superando a etapa, em que muitos eram alocados em trabalhos de escassa qualificação profissional.
Infelizmente, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, aproximadamente, 85% dos autistas brasileiros ainda estão fora do mercado de trabalho, motivo pelo qual entidades públicas e privadas devem estar conscientes que facilitar a inserção no mercado e os investimentos para desenvolver uma atitude favorável na inserção dessas pessoas é um marco de transformação.
O direito dos autistas brasileiros à inserção no mercado de trabalho é garantido pela Lei de Cotas de 2012, n°12.764, definindo uma quantidade mínima de portadores de qualquer tipo de deficiência, a serem contratados pela empresa.
O TEA é um distúrbio de neurodesenvolvimento, sendo uma evolução considerada diferente do regular, afetando o comportamento, interação, comunicação e provocando repetições, principalmente, devido a um interesse limitado a atividades e outras ações cotidianas. A patologia apresenta vários níveis indicadores do suporte necessário para um acompanhamento multidisciplinar.
Maria Inês lembra que há enorme preocupação com os autistas na infância, porém eles galgaram a maturidade e, hoje, precisam trabalhar e, não só podem, como devem se tornar excelentes companheiros de trabalho com apoio.
Os empreendedores brasileiros estão mais conscientes que a inclusão e diversidade representam um valor empresarial importante no mercado, gerando reconhecimento como verdadeiros cumpridores da função social, postura corporativa valorizada e, principalmente, esperada pela população e sintonizada com a cidadania.