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Quarta-feira, 15 de Abril 2026

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Cobertura completa de pré-natal é mais baixa entre indígenas e mulheres com baixa escolaridade

Pesquisa revela que gestantes da Região Norte também enfrentam maiores barreiras para concluir o acompanhamento médico.

Cobertura completa de pré-natal é mais baixa entre indígenas e mulheres com baixa escolaridade
© Agência Brasil/Marcello Casal Jr./Arquivo
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Embora quase a totalidade das grávidas brasileiras (99,4%) realize ao menos uma consulta inicial, a continuidade do acompanhamento essencial para a saúde materna e infantil diminui drasticamente entre indígenas, mulheres com menos anos de estudo e residentes do Norte. Os dados constam em levantamento do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) em conjunto com a Umane, entidade voltada à melhoria do sistema público de saúde.

A taxa de cobertura regride de 99,4% na primeira consulta para 78,1% na sétima, considerando a média geral. Especialistas recomendam que o monitoramento comece imediatamente após a confirmação da gravidez, preferencialmente até a 12ª semana.

O nível de instrução formal é um divisor claro: enquanto 86,5% das mulheres com maior escolaridade completam o ciclo de consultas, apenas 44,2% daquelas com menos tempo de estudo conseguem o mesmo feito.

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A desigualdade social é ainda mais evidente no caso de indígenas com baixa escolaridade, que enfrentam barreiras duplas. Apenas 19% desse grupo atinge o número indicado de consultas, um contraste severo com os 88,7% registrados entre mulheres brancas com nível superior ou médio completo.

Mulheres de povos originários apresentam os menores índices de conclusão (51,5%), seguidas por pardas (75,3%), pretas (75,7%) e brancas (84,3%). O abandono do pré-natal entre indígenas chega a 46,2%, um número três vezes superior ao verificado entre a população branca (15,3%).

Geograficamente, a Região Norte apresenta o menor índice de conformidade (63,3%), seguida pelo Nordeste (76,1%) e Centro-Oeste (77%). Os melhores desempenhos estão no Sudeste (81,5%) e no Sul (85%).

O estudo também sugere atenção especial às adolescentes menores de 20 anos, cujo índice de acompanhamento integral é de 67,7%, significativamente inferior aos 82,6% observados em mulheres com mais de 35 anos.

As estatísticas foram extraídas do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) do Ministério da Saúde, abrangendo mais de 2,5 milhões de registros de 2023.

Luiza Eunice, pesquisadora do ICEH/UFPel, destaca que a exigência de sete consultas é uma norma recente, consolidada em 2024 com a criação da Rede Alyne, que busca diminuir a mortalidade materna em 25% até 2027.

A especialista enfatiza a necessidade de combater o racismo estrutural e a discriminação no atendimento, além de promover a educação sexual para jovens sem preconceitos. Segundo Eunice, é vital focar em mulheres com menor escolaridade para reforçar a importância do pré-natal.

Ela também aponta que obstáculos logísticos, como a falta de transporte público eficiente e a ausência de um vínculo sólido com as equipes de saúde, dificultam a adesão.

"O acolhimento e a busca ativa por essas pacientes são fundamentais para garantir que elas se sintam seguras para retornar às unidades de saúde", explicou a pesquisadora.

Evelyn Santos, da Umane, reforça que o fortalecimento de ações para grupos vulneráveis é urgente para equilibrar o sistema.

"O sistema de saúde deve ser proativo e garantir um atendimento de qualidade igualitário, independentemente da cor, local de moradia ou nível de instrução da gestante", afirmou em declaração à Agência Brasil.

Como funciona o pré-natal

O objetivo principal do pré-natal é o diagnóstico precoce de patologias, permitindo intervenções rápidas que minimizam riscos no parto. A participação do pai também é incentivada para promover uma rede de apoio e cuidado compartilhado.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o período também serve para orientar sobre a amamentação exclusiva até os seis meses de vida. Após esse período, a introdução de alimentos saudáveis deve ocorrer de forma complementar, mantendo o leite materno até os dois anos ou mais.

O leite materno é superior às fórmulas industrializadas, pois contém anticorpos essenciais e fortalece o vínculo entre mãe e bebê. Para a mulher, a amamentação auxilia na recuperação uterina e reduz as chances de desenvolver câncer.

A periodicidade das consultas evolui conforme a gestação: mensalmente até a 28ª semana; quinzenalmente entre a 28ª e a 36ª; e semanalmente na reta final.

Entre os exames laboratoriais comuns citados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão o hemograma, tipagem sanguínea, testes para HIV, sífilis, hepatite B, toxoplasmose, glicemia e exames de urina.

Procedimentos adicionais, como ultrassonografias obstétricas para datar a gestação, preventivos do colo do útero e exames de fezes, também podem ser requisitados conforme a necessidade médica.

FONTE/CRÉDITOS: Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil
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