Araraquara News

Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 15 de Abril 2026

🔴 Ao vivo

Notícias/Saúde

Falta de dados sobre câncer de pele prejudica identificação da doença, alerta fundação

Especialistas da Fundação do Câncer apontam falhas significativas em registros oficiais que dificultam a elaboração de estratégias preventivas

Falta de dados sobre câncer de pele prejudica identificação da doença, alerta fundação
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Especialistas vinculados à Fundação do Câncer advertem que as bases de dados governamentais no Brasil carecem de detalhes cruciais para a detecção precoce e o cuidado da enfermidade, que resultou em 5.588 óbitos no território nacional apenas em 2023.

Ao examinarem as estatísticas dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Integrador dos Registros Hospitalares de Câncer (IRHC) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade, analistas da entidade notaram omissões substanciais para o planejamento de ações públicas. Entre as principais ausências estão os dados de raça e cor (em mais de 36% das ocorrências) e o nível de escolaridade (em cerca de 26%) dos enfermos.

“Tais indicadores são fundamentais em uma nação como a nossa, onde os índices de radiação ultravioleta variam de elevados a extremos", ressaltou o epidemiologista Alfredo Scaff, que liderou o levantamento, em comunicado oficial.

Publicidade

Leia Também:

Conforme Scaff, o preenchimento correto dessas informações permite otimizar as campanhas de prevenção e favorece o diagnóstico ágil, o que é determinante para evitar que a doença seja descoberta em estágios avançados.

A região Sudeste (ES, MG, RJ e SP) registrou os maiores índices de omissão quanto à raça ou cor, atingindo 66,4% nos casos de câncer não melanoma e 68,7% nos diagnósticos de melanoma, a variante mais agressiva.

“Essa carência de registros impede uma compreensão aprofundada sobre as disparidades raciais no tratamento da doença.”

Acompanhe as atualizações da Agência Brasil por meio do seu canal no WhatsApp.

No Centro-Oeste (DF, GO, MS e MT), a maior deficiência foi observada nos dados de escolaridade, ausentes em 74% dos casos não melanoma e em 67% dos registros de melanoma.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), essa patologia é a de maior incidência na população brasileira.

As variações mais usuais são os carcinomas basocelular e espinocelular, que se originam nas camadas externas da pele. O melanoma, embora menos recorrente, é originado nos melanócitos e possui um risco elevado de metástase.

Projeções do INCA indicam que, no triênio entre 2026 e 2028, surjam anualmente 263.282 novos diagnósticos de tipos não melanoma e 9.360 de melanoma. A região Sul (PR, RS e SC) deve concentrar a maior parte das ocorrências, tendo registrado as maiores taxas de óbito por melanoma em 2024, especialmente entre o público masculino.

Detalhes do levantamento

Utilizando estatísticas do INCA, a Fundação do Câncer revelou em relatório publicado nesta segunda-feira (14) que o Brasil contabilizou 452.162 diagnósticos de câncer de pele entre os anos de 2014 e 2023.

O grupo mais atingido é composto por indivíduos com mais de 50 anos. Enquanto o tipo não melanoma é mais prevalente em homens, o melanoma afeta ambos os sexos de forma equilibrada em todo o país.

O contato com raios ultravioleta configura o maior risco para o desenvolvimento da doença. Essa vulnerabilidade é influenciada pela pigmentação da pele — sendo mais alta em pessoas claras — e pela constância da exposição ao sol. Outros agravantes incluem a genética familiar, a presença de sinais irregulares, queimaduras solares severas no passado e fatores ambientais ou ocupacionais.

“Como o sol é o principal vilão, as pessoas logo associam a proteção apenas ao uso de filtro solar em momentos de lazer, mas o cenário é mais complexo”, pondera Scaff.

“É essencial focar nos profissionais que exercem atividades externas, como coletores de lixo, agentes de segurança, operários da construção e produtores rurais. O setor agrícola é vital no Brasil, e esses trabalhadores precisam de bloqueadores solares e equipamentos como vestimentas adequadas, chapéus e óculos com proteção contra raios UV”, explicou.

O especialista também alertou sobre os perigos de fontes de radiação artificial, a exemplo das câmaras de bronzeamento.

“Exposições intensas em curtos períodos, principalmente se causarem queimaduras na juventude, elevam as chances de melanoma, ao passo que a exposição prolongada e contínua está ligada aos tipos não melanoma.”

A Agência Brasil buscou um posicionamento do Ministério da Saúde, que declarou estar examinando os achados da Fundação do Câncer. Acesse aqui o levantamento detalhado.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
Comentários:

Não possui uma conta?

Você pode anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR