As barreiras empregatícias para idosos se tornam cada vez maiores e difíceis de serem superadas. A pesquisa da plataforma Maturi revela que, aproximadamente, 93% dos profissionais, com 50 ou mais, estão passando por recolocação, principalmente após a pandemia. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que 700 mil profissionais tenham perdido seus empregos.
O envelhecimento é um processo natural e, devido ao constante avanço da medicina, a população vive cada vez mais, porém, a dificuldade para conseguir um novo emprego, após uma demissão aos 50 anos, cresce com o etarismo. A advogada do escritório Vasconcelos Rodrigues de Oliveira Advogados Associados, Maria Inês Vasconcelos, explica que trata-se de uma discriminação devido à idade, como se essa situação definisse a capacidade e esforço individual.
O etarismo é ainda mais forte entre mulheres. Um estudo da EY Brasil, em parceria com a Maturi, apontou que uma em cada quatro desempregadas com 50 anos ou mais, se encontram nessa situação, há pelo menos dois anos, sendo 32% delas há um ano, contra 19% dos homens. Se considerado os pretos e pardos, 37% deles não conseguem emprego há dois anos.
Outro dado relevante, é que nos últimos cinco anos, 42% das empresas brasileiras de grande porte afirmaram contratar apenas uma entre dez pessoas, sendo que, aproximadamente 10% delas não empregam esses profissionais.
A ocorrência e recorrência precisam ser revistas por diversas questões, como o fato de o Brasil está se tornando um país de velhos, enquanto a taxa de natalidade diminui.
A advogada lembra que diversas empresas combatem essa realidade organizacional com campanhas, mas ainda existe muito a ser feito. A verdade é que os mais velhos têm muito a oferecer com sua experiência, maturidade, liderança, foco e valorização do serviço. As ações das organizações mostram preocupação com a diversidade da equipe e não deve ser centrada apenas no gênero, sexualidade, etnia e pessoas com deficiência.