As lentes de contato são bastante usadas por brasileiros para enxergar melhor o mundo. Contudo, apesar das diversas vantagens, deve-se ter muita atenção para prevenir ocorrências graves oculares.
As lentes têm a mesma função dos óculos, diferindo somente no fato de serem imperceptíveis a olho nu, exceto se apresentarem coloração para mudar a tonalidade dos olhos. Porém, a questão é que muitas pessoas optam pelas lentes, justamente devido ao grau, mas, não se adaptam a óculos tradicionais ou apenas optam por uma imagem mais limpa e, até mesmo, prática.
A opção por lentes requer avaliar uma série de fatores. O material do produto varia entre gelatinoso, rígido e híbrido, combinando a rigidez com pontos mais macios, proporcionando uma melhor adaptação. De acordo com a oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, a escolha depende de questões de saúde pré-existentes, como o ceratocone e as necessidades diárias, situação que deve ser discutida e avaliada com o médico.
Normalmente, as lentes de contato provocam desconfortos, como olho seco, irritação e arranhões. A neovascularização da córnea também é outra condição, devido ao crescimento dos vasos sanguíneos em direção à córnea. As lentes diminuem esse contato direto com o ar e, a partir daí, é maior o potencial de desenvolver uma infecção.
Um dos grandes riscos das lentes com a falta de higiene é uma infecção por acanthamoeba, protozoário causador de úlceras, ceratites e, até mesmo, causar cegueira. Ele é encontrado em diferentes ambientes, como no ar, poeira, solo, rios, mar, piscina, água mineral e ainda na mucosa nasal, reforçando a importância de cuidados frequentes.
Quem usa lentes, principalmente as gelatinosas - uma vez que retêm água, está mais sujeito a enfrentar problemas, sobretudo, quando ignora as recomendações médicas e do fabricante, como por exemplo, usar por mais tempo que permitido ou em locais impróprios, como piscinas, banheiras e durante o banho.
Para Juliana, deve-se estar atento a sinais de vermelhidão persistente, dor intensa e repentina, visão embaçada, sensibilidade extrema à luz, secreção saindo dos olhos e a sensação constante de um corpo estranho no órgão, como areia. A recomendação é remover as lentes e consultar um especialista.
Vale lembrar que a automedicação nunca é indicada e pode piorar os sintomas. Afinal, somente o oftalmologista possui conhecimento para indicar um tratamento adequado, embasado em avaliação minuciosa da saúde ocular.
Muitos usuários não sabem como, realmente, cuidar das lentes. Primeiro, é preciso ter uma higiene rigorosa e sempre lavar as mãos em solução adequada, antes de manuseá-las, trocando a cada lavagem. O estojo também deve ser lavado, sempre com água e sabão neutro e, depois, secar. “A recomendação é trocar a caixa a cada três meses”, afirma a oftalmologista.
Qualquer pessoa deve manter uma consulta periódica em uma clínica oftalmológica, principalmente, os usuários de lentes ou óculos e quem tem problemas oculares. Os exames permitem melhor acompanhamento e avaliar se lentes e óculos estão corretos, assim como prevenir, com antecedência, diagnósticos de doenças graves.
Apesar de ser comumente utilizada por adultos, as crianças também podem ser adeptas de lentes. A escolha depende de vários fatores, como nível de maturidade e autonomia. A recomendação é entre os 10 e 12 anos de idade, dúvida que também pode ser sanada em consultório oftalmológico.