O exercício da cidadania está ligado à política, desde a antiguidade e, por séculos, as mulheres foram excluídas das decisões, cabendo apenas aos homens ricos. Contudo, essa realidade mudou ao longo dos anos, pois elas lutaram pelos próprios direitos, como o do voto, conquistado no Brasil há 92 anos.
O primeiro país a permitir o voto feminino foi a Nova Zelândia, em 1893 e, antes mesmo da proclamação da república, em 1889, as brasileiras já lutavam por esse direito, conquistado em 1932, após o presidente Getúlio Vargas instituí-lo no Código Penal, restrito às mulheres casadas (com permissão do marido), viúvas ou solteiras com renda própria. Em 1934, os requisitos foram retirados. A obrigatoriedade apenas foi confirmada em 1946. Os países como a França e a Suíça levaram mais algumas décadas para tomar uma decisão.
Atualmente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que a maior parte do eleitorado brasileiro é de mulheres, por volta de 53%, contudo, a presença em cargos de liderança, principalmente na política, ainda é considerada desproporcional. A União estima que 17,7% da Câmara dos Deputados é composta por mulheres e apenas dois dos 32 partidos políticos são liderados por elas.
Segundo a advogada do escritório Vasconcelos Rodrigues de Oliveira Advogados Associados e pesquisadora, Maria Inês Vasconcelos, elas ainda convivem no campo político, com a hostilidade, violência de gênero e a desconfiança sobre sua real capacidade de atuação. A prática pode ser vista, tanto pelo baixo número de eleitas, quanto pela menor aprovação de projetos sugeridos por elas.
Apesar dos diversos avanços, casos como esse, não isolados, apontam como esse processo ainda está longe de terminar. A instauração do Dia Internacional da Mulher, na década de 70, homenageia as conquistas e reivindicações das mulheres, porém, as barreiras ainda são extensas, principalmente, quando se pensa sobre fatores, como a desigualdade de gênero e segurança, fenômenos que ainda são lentamente alterados. O problema é que determinadas atitudes, apenas mudarão através de uma transformação na base do pensamento machista, cultivado por muitos e muitos séculos.