Há séculos, as mulheres lutam pela igualdade dos direitos, destacando que possuem a mesma capacidade que eles. Uma professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) receberá, pela segunda vez, o prêmio International Achievements Research Center (IARC), após ser considerada, após quatro anos do primeiro reconhecimento, cientista do ano.
Há 25 anos, Angela Wyse está no corpo docente da instituição, atuando no curso de Medicina e no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, desenvolvendo pesquisas que a renderam ainda outros reconhecimentos, CAPES-Elsevier e Pesquisador Gaúcho. Ela também é membro da Academia Brasileira e Mundial de Ciências.
Angela é especialista em fatores de risco para doenças cerebrais e cardíacas e se dedica a entender os danos causados pela homocisteína, uma substância produzida pelo organismo ao processar alimentos de origem animal, no cérebro e coração. Ela identificou, por exemplo, que uma dieta desequilibrada, com uma alta ingestão de proteína, aumenta os riscos do desenvolvimento de doenças, como o Alzheimer e Parkinson.
Para a advogada do escritório Vasconcelos Rodrigues de Oliveira Advogados Associados e autora do livro “Mulheres que não se escondem”, Maria Inês Vasconcelos, os resultados são importantes, não apenas pela descoberta em si, mas por pertencerem a mulher, em um campo que a presença masculina ainda é forte, principalmente, na preferência por seleção de bolsas, afinal, uma análise realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apontou que, entre 2010 e 2021, das 184.728 bolsas fornecidas, 64,7% foram para eles e 35,3% para elas, e quanto mais alto o nível de hierarquia, maior também é a discrepância.
Por outro lado, o Ministério da Educação afirma que as mulheres já são maioria em mestrados e doutorados, respondendo por 195 mil das matrículas em cursos oferecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e, consequentemente, na publicação de artigos científicos. A Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e a Cultura (OEI) aponta que 72% dos materiais produzidos no Brasil pertencem a mulheres.
Maria Inês ainda lembra que a premiação celebra descobertas e auxilia os pesquisadores a se manterem motivados, inspirados e orgulhosos de seus esforços, não apenas reconhecendo-os, mas mostrando o potencial que possuem de melhorar o mundo e conquistar uma ajuda extra através de parceiros e investidores.