A educação pública brasileira segue como um tema de bastante preocupação, principalmente, considerando o futuro dos jovens e, consequentemente, do próprio país. A implementação do novo ensino médio foi barrada e o governo avalia novas maneiras para reverter os problemas e adaptar o método à realidade mundial, ampliando também o acesso aos estudantes.
Um dos aspectos mais debatidos está sobre o “Novo Ensino Médio”, cuja proposta é garantir aos jovens, ainda durante o ensino básico, uma formação técnica, proporcionando uma profissão, antes mesmo da graduação. Uma questão está no fato de não ser necessário cursar todas as disciplinas para profissionalização, contando com algumas obrigatórias e o próprio estudante selecionaria mais algumas que mais lhe agradasse.
Consequentemente, a medida afeta a carga horária escolar, a preparação adequada do estudante e, até mesmo, o formato do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O fato é que diversas escolas públicas não estão adequadas a essa alteração e ainda convivem com superlotação, falta de verba e, consequentemente, precariedade de estrutura e materiais.
Após um período de consulta pública, debates e tomada de decisões, o parecer atual é contrário às ideias do governo Lula, uma vez que a Câmara de Deputados optou por fazer modificações no texto do Ministério da Educação (MEC).
O governo quer ainda, ampliar a adesão ao ensino médio e ao EJA (Educação para jovens e adultos) com a criação de uma poupança, ou seja, uma bolsa permanência para pessoas de baixa renda, pois, devido à condição financeira familiar, muitos deles precisam abdicar dos estudos para trabalhar e ajudar em casa. A estimativa é que até 16% dos discentes abandonem a escola durante esse período.
O presidente Lula já sancionou a criação da lei. Os detalhes ainda estão sendo definidos, mas o pagamento deve começar a partir de março, segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, beneficiando mais de 2,5 milhões de alunos.
O Brasil ainda lida com sérios problemas de disparidade e, ao longo dos anos, o governo busca superar essas barreiras para oferecer melhores condições de vida, através, principalmente, dos estudos, em programas, como o Enem, Sisu, Fies e as cotas, contudo, ainda existe muito a ser superado.
Uma das principais dificuldades está na integração de todos, de maneira igualitária e satisfatória, uma vez que as críticas para as mudanças envolvem a qualidade do ensino e, como essa seria afetada, assim como considerar cada diferença e realidade vividas pelos estudantes das várias regiões, assim como seu acesso, quer seja ao ensino presencial, como à distância, já que muitos não possuem acesso à internet ou outros dispositivos adequados.
*** Ângela Mathylde Soares – Neurocientista, pedagoga e psicanalista