Aguarde, carregando...

Segunda-feira, 08 de Junho 2026
Notícias/Saúde

O QUE OS OFTALMOLOGISTAS PRECISAM SABER SOBRE A ENXAQUECA?

Doença pode causar sintomas visuais

O QUE OS OFTALMOLOGISTAS PRECISAM SABER SOBRE A ENXAQUECA?
Ricardo Guimarães
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O título original do artigo, publicado no site da Academia Americana de Oftalmologia (AAO), em setembro de 2022, chama a atenção dos oftalmologistas para a necessidade de aprofundar seus conhecimentos no grupo de sinais e sintomas visuais que acompanham a síndrome da enxaqueca visual e também em seu tratamento, usando filtros espectrais.

A enxaqueca é uma doença neurológica comum e pode causar sintomas visuais significativos, em alguns pacientes. Embora as manifestações visuais da enxaqueca, incluindo fotofobia, visão borrada, halos visuais e escotoma, sejam bem conhecidas, os oftalmologistas, nem sempre, consideram esse diagnóstico em pacientes com queixas visuais. 

No entanto, em alguns casos, a enxaqueca pode ser a causa primária ou contribuir para sintomas oftalmológicos, daí a importância de os oftalmologistas estarem familiarizados com essa condição.

Publicidade

Leia Também:

A enxaqueca afeta cerca de 12% da população, com prevalência três vezes maior em mulheres. As enxaquecas se caracterizam por ataques recorrentes de dor moderada a severa, geralmente na região da nuca, têmporas ou fronte, associadas a outros sintomas neurológicos, como náusea, vômitos, fotofobia e visão borrada. As crises podem durar de 4 a 72 horas, se não tratadas.

O tratamento da enxaqueca foca na prevenção e alívio dos sintomas. Segundo a Academia Americana de Oftalmologia, os oftalmologistas devem compreender a enxaqueca e suas manifestações visuais para evitar intervenções desnecessárias e procedimentos diagnósticos dispendiosos, quando os sintomas visuais forem associados à enxaqueca. Com o tratamento adequado, os sintomas visuais tendem a diminuir ou desaparecer.

A Academia Americana de Oftalmologia recomenda aos oftalmologistas, no caso de pacientes com queixas visuais relacionadas à enxaqueca:

Considere a enxaqueca como possível diagnóstico, especialmente em mulheres. Os sintomas visuais como fotofobia, visão borrada, halos e escotomas podem ser secundários à crise de enxaqueca.

Exclua outras causas orgânicas para esses sintomas visuais, através de exames oftalmológicos apropriados, por exemplo: oftalmoscopia, tomografia de coerência óptica, angiografia e perimetria. Isso é importante para tranquilizar o paciente e evitar tratamentos desnecessários.

Compreenda que o tratamento dos sintomas visuais e importante no tratamento e prevenção dos próximos episódios. 

Colabore com neurologistas e outros especialistas, quando necessário para o manejo eficaz de pacientes com enxaqueca e sintomas visuais significativos.

A fotofobia é o sintoma mais desconfortável. Em uma mesa redonda, realizada ainda na Academia Americana de Oftalmologia, (link no final do texto), a Dra. Kathleen Digre, neuro-oftalmologista recomenda o seguinte, sobre o uso de filtros espectrais no tratamento da fotofobia (sensibilidade à luz), associado à enxaqueca:

Os filtros espectrais (lentes especiais que filtram/bloqueiam a faixa específica do espectro de luz visível ao olho humano) bloqueiam a luz azul, principal responsável pela fotofobia. Eles preservam a visão natural e a acuidade visual. 

A eficácia dos filtros espectrais varia, conforme cada paciente. É preciso experimentar para determinar a eficácia individual.

Os filtros são seguros e podem ser usados com ou sem medicação. Eles não interferem com tratamentos medicamentosos para enxaqueca ou outros problemas.

O custo dos filtros espectrais pode ser uma barreira para alguns pacientes. No entanto, eles são de uso contínuo e podem durar vários anos com o uso regular. O custo diário pode ser muito baixo.

A Dra. Digre K. recomenda discutir o uso de filtros espectrais com qualquer paciente com enxaqueca e importante fotofobia que perturba a qualidade de vida. Eles podem proporcionar um alívio significativo dos sintomas.

Antes da descoberta das células fotossensíveis IPRGC na retina, as pessoas com enxaqueca visual e fotofobia intensas, contavam apenas com medicação para aliviar os sintomas, sem nenhum recurso realmente direcionado ao mecanismo visual subjacente. 

Após o avanço no conhecimento dessas células fotossensíveis, foi possível bloquear seletivamente a estimulação luminosa das mesmas, reduzindo drasticamente a fotofobia, sem comprometer a visão.

O Dr. Peter Good, neurofisiologista de Birmingham, foi o primeiro a usá-lo para fotofobia e enxaqueca. No início dos anos 1990, a Dra. Kathleen Digre, da Universidade de Utah, começou a usar o filtro espectral FL-41, em alguns de seus pacientes com sucesso.

Os resultados significativos e a simples manipulação dos filtros espectrais popularizaram seu uso, tornando-o uma opção terapêutica amplamente conhecida e utilizada. Contando com um mecanismo visual claro como alvo, representa um marco na gestão da fotofobia, associada à enxaqueca, proporcionando alívio substancial da sintomatologia e melhor qualidade de vida.

*** Ricardo Guimarães – Diretor Técnico do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães

Multi Comunicar

Publicado por:

Multi Comunicar

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode anunciar produtos e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR