O uso crescente de medicamentos injetáveis para emagrecimento, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, tem levantado alertas também na oftalmologia. Embora eficazes em determinadas indicações, essas medicações podem estar associadas a alterações visuais, especialmente quando utilizadas sem acompanhamento adequado ou em contextos de mudanças metabólicas rápidas.
De acordo com o oftalmologista Rodrigo Carvalho, os efeitos oculares não são frequentes, mas já vêm sendo observados na prática clínica e em estudos recentes. “Existem relatos de alterações visuais associadas ao uso dessas medicações, principalmente em situações em que há oscilações rápidas da glicemia ou perda de peso acelerada”, explica.
Pesquisas observacionais e análises de grandes bases de dados apontam possíveis associações entre os chamados agonistas de GLP-1 — como a semaglutida — e alterações oculares, incluindo edema macular e, em casos mais raros, neuropatia óptica isquêmica. Segundo o especialista, essas conclusões surgiram a partir da observação clínica e vêm ganhando atenção à medida que o uso dessas substâncias se torna mais difundido.
O Dr. Carvalho frisa que entre os sintomas mais relatados estão visão borrada, dificuldade de foco e oscilações na qualidade visual. Em situações menos comuns, podem ocorrer perda súbita da visão ou o surgimento de manchas no campo visual. “Na maioria das vezes, essas alterações são temporárias e relacionadas a variações metabólicas. No entanto, sintomas persistentes ou de início súbito devem ser investigados com urgência”, orienta.
Qual a relação?
A relação entre essas medicações e a saúde ocular está diretamente ligada ao metabolismo e ao controle glicêmico. A retina, estrutura essencial para a visão, é altamente sensível a essas variações. Por isso, pacientes com diabetes ou doenças oculares prévias exigem atenção redobrada. “Mudanças rápidas na glicemia podem descompensar quadros já existentes e aumentar o risco de complicações visuais”, destaca.
Diante de qualquer alteração na visão, como embaçamento persistente, queda súbita ou presença de manchas, a recomendação é procurar avaliação oftalmológica o quanto antes. O acompanhamento durante o uso dessas medicações também é indicado, especialmente para pacientes com fatores de risco, com a frequência definida de forma individualizada.
O especialista reforça que o tratamento não deve ser interrompido por conta própria. “A decisão deve ser tomada em conjunto com o médico assistente e o oftalmologista, considerando o quadro clínico do paciente”, enfatiza.
Embora ainda pouco comuns, esses efeitos vêm sendo cada vez mais reconhecidos. Para o médico, o principal ponto é a condução responsável. “São medicamentos eficazes no tratamento da obesidade e do diabetes, mas, como qualquer terapia sistêmica, podem ter repercussões oculares. A integração entre as especialidades médicas é fundamental para garantir segurança ao paciente”, conclui.
Sobre o Dr. Rodrigo Carvalho
Rodrigo Teixeira de Campos Carvalho (CRM-SP107.838, RQE 37070) é médico formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, com residência em Oftalmologia pela Unicamp. Possui título de especialista pelo CNRM/MEC e pela Associação Médica Brasileira/Conselho Brasileiro de Oftalmologia, além de especialização em cirurgia refrativa pela USP. Atua há mais de duas décadas na área, com experiência clínica e cirúrgica, e é proprietário da Alpha Oftalmologia Avançada, em Campinas. Também desenvolve doutorado na área de cirurgia refrativa pela USP.
Sobre a Alpha Oftalmologia Avançada
A Alpha Oftalmologia Avançada é uma clínica especializada em diagnóstico e tratamento oftalmológico, que reúne tecnologia de ponta e atendimento personalizado em um único espaço. Com estrutura moderna, realiza desde consultas e exames até cirurgias como catarata, refrativa, ceratocone e blefaroplastia, com acompanhamento completo em todas as etapas do cuidado. Está localizada na Av. José de Souza Campos (Norte-Sul), 550, conjunto 91, Campinas.
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