O uso inadequado de produtos químicos compromete a saúde e o bem-estar de diferentes maneiras. Alguns estudos já revelaram que os componentes como o perfluoroalquil, pertencente ao grupo das PFASs, apresentam malefícios relacionados ao surgimento de tumores e alterações na tireoide, entre outros, sendo que as últimas pesquisas também apontaram riscos para a saúde ocular.
O perfluoroalquil é uma substância usada pela indústria, desde meados da década de 50, popularmente conhecida pela capacidade de tornar as panelas antiaderentes. Contudo, esse componente químico não está restrito ao ambiente culinário, sendo encontrado também em uma variedade de outros produtos. Infelizmente, a liberação inadequada no meio ambiente ainda permite que se espalhe, inclusive pela água e alimentos, como peixes.
Uma pesquisa na China, maior país produtor mundial de PFASs, na cidade de Shenyang com fábricas e altos níveis de químicos, buscou identificar a situação ocular, acompanhando 1202 pessoas, entre 22 e 90 anos. O método analisou as características individuais, seguindo um protocolo padrão chamado de Snellen Vision, apoiado pela microscopia de lâmpada de fenda e oftalmoscopia direta para examinar possíveis doenças e condições oculares. Cada participante passou por um exame oftalmológico completo, analisando a história ocular, acuidade visual e a análise de segmento anterior e posterior.
O processo permitiu avaliar que os níveis sanguíneos de PFASs eram maiores no grupo com uma doença ocular, se comparado ao grupo considerado normal, sem nenhum diagnóstico afetando a saúde da visão. A exposição às substâncias foi associada a doenças oculares combinadas e individuais.
A diretora do Hospital Dr. Ricardo Guimarães, Juliana Guimarães, fala que os ácidos perfluorohexanóico e perfluoro-octanóico foram os que mais apresentaram associações adversas com causas oculares, alertando que podem afetar o humor vítreo, causando infecções e miopia, entre outros erros refrativos.