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Quinta-feira, 21 de Maio 2026
Notícias/Economia

Arrecadação federal atinge novo recorde de R$ 278 bilhões em abril, impulsionada pela receita previdenciária

O desempenho histórico da receita previdenciária, associado ao crescimento do trabalho formal, foi crucial para o resultado recorde da arrecadação.

Arrecadação federal atinge novo recorde de R$ 278 bilhões em abril, impulsionada pela receita previdenciária
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O governo federal registrou um novo recorde em sua arrecadação federal em abril, totalizando R$ 278,8 bilhões em impostos, contribuições e outras receitas. Este marco, o melhor para o mês desde 1995, foi impulsionado pelo dinamismo econômico, a alta do petróleo e, principalmente, a expansão da receita previdenciária decorrente do aumento do trabalho formal no Brasil.

Os dados, divulgados nesta quinta-feira (21) pela Receita Federal, revelam um crescimento real de 7,82% em comparação com abril de 2025, já descontada a inflação do período.

No acumulado dos primeiros quatro meses do ano, de janeiro a abril, a arrecadação alcançou a marca de R$ 1,05 trilhão. Este valor representa um aumento real de 5,41% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, consolidando-se como o maior para um primeiro quadrimestre na série histórica.

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Os principais indicadores de arrecadação em abril foram:

  • Arrecadação total em abril: R$ 278,8 bilhões (7,82% acima da inflação);
  • Arrecadação acumulada no ano: R$ 1,05 trilhão (5,41% acima da inflação);
  • IRPJ e CSLL: R$ 64,8 bilhões (crescimento de 7,73%);
  • Receita previdenciária: R$ 62,7 bilhões (crescimento de 4,83%);
  • IR sobre rendimentos de capital: R$ 13,2 bilhões (crescimento de 25,45%);
  • Arrecadação de petróleo e gás: R$ 11,4 bilhões (salto de 541% em abril).

O que impulsionou o crescimento

Segundo a Receita Federal, o desempenho robusto foi significativamente influenciado pelo incremento da receita previdenciária, diretamente ligado à expansão do mercado de trabalho formal no país.

Adicionalmente, o crescimento da arrecadação foi estimulado pelo Programa de Integração Social (PIS) e pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambos atrelados ao volume de consumo.

Outros fatores que contribuíram para a alta incluem o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras, que passou por reformulações no ano anterior, e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cujas alíquotas sobre operações cambiais foram elevadas em 2025.

A reoneração gradual da folha de pagamentos de certos setores e da contribuição patronal dos municípios, que foi retomada desde janeiro de 2025, também desempenhou um papel importante nesse cenário.

A arrecadação de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) atingiu R$ 64,8 bilhões em abril, evidenciando um crescimento real de 7,73%.

A Receita aponta que houve um aumento na tributação de empresas enquadradas em diversos regimes, como estimativa mensal, lucro presumido e balanço trimestral.

Esse avanço sugere que as empresas registraram maior lucro tributável, o que resultou em um recolhimento ampliado de impostos federais.

Receita previdenciária em destaque

A receita previdenciária somou R$ 62,7 bilhões em abril, apresentando um crescimento real de 4,83%.

Esse resultado foi diretamente impactado pelo aumento da massa salarial do país, que registrou um crescimento de 3,61% em março na comparação anual. Houve também uma expansão notável de 9,18% na arrecadação previdenciária vinculada ao Simples Nacional.

Na prática, o incremento no número de empregos formais e a elevação dos salários contribuem automaticamente para um maior recolhimento de contribuições ao INSS.

Investimentos e seus reflexos

O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital arrecadou R$ 13,2 bilhões, marcando um crescimento real expressivo de 25,45%.

A Receita atribui esse desempenho ao aumento da tributação sobre aplicações de renda fixa e ao significativo salto na arrecadação proveniente dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), um mecanismo utilizado pelas empresas para remunerar seus acionistas.

A cobrança sobre JCP, em particular, cresceu impressionantes 94,74% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O papel do petróleo

Um dos principais destaques veio do setor de petróleo e gás natural.

A arrecadação ligada aos tributos e aos royalties de exploração desse setor disparou 541% em abril, alcançando a cifra de R$ 11,4 bilhões. No acumulado do ano, a alta chega a 264%, com receitas totalizando R$ 40,2 bilhões.

Esse crescimento foi provocado, principalmente, pela forte valorização internacional do petróleo, em um cenário de tensões geopolíticas no Oriente Médio e do conflito envolvendo o Irã.

Com o barril mais caro, as empresas do setor obtêm maiores lucros, o que, por sua vez, resulta em um recolhimento superior de impostos e royalties para o governo.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil

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