A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, em uma ação conjunta que representa o Congresso Nacional, formalizaram recentemente perante o Supremo Tribunal Federal (STF) sua defesa pela validade da Lei da Dosimetria. Esta norma, que possibilita a redução de penas para indivíduos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, foi temporariamente suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, que aguarda uma decisão final sobre sua constitucionalidade.
A iniciativa das Casas Legislativas surge em resposta a uma solicitação do próprio relator do processo no STF, ministro Alexandre de Moraes. Ele havia determinado a suspensão da aplicação da lei até que a Suprema Corte se pronuncie definitivamente sobre sua conformidade com a Constituição.
A defesa do Congresso Nacional
O Senado Federal, por meio de sua advocacia, argumentou pela necessidade de o plenário do STF derrubar a decisão monocrática de Moraes. A Casa Legislativa alertou que a suspensão da lei acarreta efeitos “graves e potencialmente irreversíveis” para os réus.
“Ao sustar a aplicação da Lei nº 15.402/2026, priva-se o condenado de lei mais benéfica em vigor, impondo-lhe, por decisão judicial provisória, regime de progressão mais gravoso do que aquele previsto pelo legislador”, detalhou o Senado em sua manifestação.
Paralelamente, a Câmara dos Deputados reforçou a prerrogativa do Congresso Nacional de ter a “palavra final” sobre o veto presidencial referente à matéria.
“O Congresso é o principal ator na sistematização do processo legislativo e possui a palavra final sobre o veto. Portanto, cabe ao Parlamento decidir como derrubar o veto”, explicou a Câmara, enfatizando o papel central do poder legislativo.
Ações contestam a Lei da Dosimetria
A validade da Lei da Dosimetria é contestada por pelo menos três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) no Supremo. Estas ações foram protocoladas após a deliberação do Congresso, que derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto.
Entre os autores das ADIs estão a Federação PSOL-Rede, a Federação PT, PCdoB e PV, além da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que buscam reverter a aplicação da lei.
Há uma expectativa de que o julgamento dessas ações ocorra ainda neste mês pela Suprema Corte.
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